Viaje connosco pelas Aldeias Históricas de Portugal, um tesouro escondido no Portugal profundo, todas as segundas-feiras, a partir das 18 horas.

www.aldeiadaminhavida.blogspot.com
08
Jun 09
O monstro e o ermitão é uma lenda popular que deve ter surgido para explicar um curioso ritual que durou séculos: Todos os anos a população de Castelo Mendo enviava um grupo de rapazes seminus da cintura para cima à festa da Senhora de Sacaparte, que se realiza numa aldeia vizinha chamada Alfaiates.(…) (1)”

De uma forma abreviada, vou contar a razão desse ritual.

Tudo começou porque todos os anos, no início da Primavera, desaparecia sempre alguém na terra. A população aflita, nada sabia do paradeiro desses jovens e especulava-se mil e uma situações que explicassem esses mistérios, de que seriam vítimas. Com medo de calhar a sua vez, as mães evitavam até mandar os filhos sozinhos pelo campo… Mas todas as precauções eram em vão: estava mais que certo que todos os anos desaparecia um rapaz da aldeia.

Até que um dia, três aldeões : um viúvo, um casado e um solteiro resolveram consultar um velho ermitão, com fama de sábio, que vivia a léguas da aldeia, numa dobra da serra. Demoraram vários dias a encontrá-lo na sua toca do ermitão, vestido de farrapos, com uma longa e comprida barba branca, a recolher mel das abelhas.
O ermitão recebeu-os oferecendo-lhes a comida que tinha: mel, frutos silvestres, e leite de cabra. Ouviu-os atentamente e prometeu que lhes daria a resposta certa, de madrugada. Ansiosos, ficaram acordados a noite toda à espera da resposta.

“Da boca do ermitão saiu uma lengalenga que não só dava a chave do mistério, como apresentava a solução:

Nestas terras por azar
Anda um monstro traiçoeiro
Ai de quem ele avistar
Que o engole logo inteiro

Para este mal acabar
Oiçam-me bem esta rima
Dezoito moços hão-de-andar
Nus da cintura para cima

E assim mesmo hão-de andar
À Senhora de Sacaparte
Para o monstro ali vencer
Apenas com esta arte.(1)”

Ouvidas as palavras, os três homens agradeceram e partiram para a aldeia. Quando chegaram, o povo quis ouvir vária vezes as palavras ditas pelo ermitão. Tantas foram as vezes que ficou no ouvido esta rima:

“Mandar moços seminus
À Senhora de Sacaparte?
Se essa é a solução
Pois lá irão”

E assim se cumpriu esse ritual anos e anos na romaria em honra de Nossa Senhora de Sacaparte em Alfaiates, uma aldeia vizinha. Durou até há cerca de cem anos atrás, quando um bispo pôs termo ao ritual.

Actualmente não há memória desse ritual, apesar de continuar essa romaria.


Até à próxima segunda-feira!
___
observações:
(1) Magalhães, Ana Maria, Lendas e segredos das Aldeias Históricas de Portugal, Comissão Coordenadora da Região Centro, Março de 2002.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 16:42

25
Mai 09
Não podemos deixar a vila de Almeida, sem falarmos da Lenda da princesa Isabel, com já tinha prometido.

“A história da princesa Isabel baseia-se em factos históricos:
Isabel foi a única filha bastarda do rei D. Fernando e não se sabe quem era a mãe. No ano 1372 o rei Henrique de Castela invadiu Portugal com um exército que entrou por Almeida e se dirigiu para sul a fim de cercar Lisboa. Pelo caminho efectuaram pilhagens , houve combates, muitos mortos e feridos. Os portugueses resistiram como puderam mas ficaram muito abalados, e por isso tiveram que fazer cedências na altura de assinar a paz. Uma das cedências foi entregar algumas terras junto da fronteira ao rei de Castela. Do lote fez parte Almeida, que só foi entregue por três anos.
imagem retirada da internet

Na ideia de reforçar os laços de amizade e evitar novas guerras, combinaram-se casamentos de princesas portuguesas com príncipes castelhanos. Isabel, apesar da sua pouca idade (8 anos), seguiu com os exércitos inimigos para se casar com Afonso, também ele filho bastardo do rei de Castela. Acontece que Afonso, que já tinha 18 anos, reagiu mal à ideia (…)

imagem retirada da internet


No entanto, ao contrário de outras pequenas princesas que foram viver para o estrangeiro e tanto sofreram em terras estranhas sem o amor de ninguém, Isabel teve sorte. A rainha de Castela Joana Manuel) era irmã da sua avó paterna ( Constança Manuel) e, portanto, não só a recebeu de braços abertos como a protegeu toda a vida.”


Com essa aliada Isabel aprendeu a língua local e adaptou-se bem à vida da corte castelhana, sem sentir pela falta do príncipe, que andava ao serviço do rei de França.
Com os anos tornou-se uma mulher formosa, alegre e simpática e ninguém compreendia a sua rejeição por parte do príncipe.


“Numa tarde chuvosa do mês de Fevereiro , estando a corte reunida no palácio de Valladolid(…) apareceu Isabel muito bem ataviada em sedas e veludos. Também se penteara com esmero e trazia ao pescoço, nas mãos e nas orelhas as jóias lindíssimas que lhe oferecera a rainha. (…)




imagem retirada da internet
O próprio rei ficou estupefacto ao ouvi-la declarar alto e bom som que chegara à idade de casar.
- Sei que não agrado a D. Afonso e quero que saibam que ele também não me agrada a mim, mas isso não interessa.
A assistência emudecera de pasmo perante aquela rapariguinha altiva e firme, exigindo de cabeça erguida aquilo a que tinha direito:
- Sou filha do rei de Portugal, e se está previsto que me torne nora do rei de Castela, não vejo motivo para esperar mais!
Uma argumentação simples, clara e directa nunca é fácil de rebater. O silêncio prolongou-se com grande incómodo para o rei, que sentiu a autoridade posta em causa diante mil pares de olhos que o trespassavam como quem pergunta: « Então? O príncipe casa ou não casa? »



Imagem retirada da internet

D. Henrique saiu de rompante e mandou escrever em letras gordas uma mensagem ao filho. Ordenava-lhe que viesse imediatamente para subir ao altar e receber Isabel por esposa. Caso não comparecesse, seria deserdado e no testamento encontraria apenas a maldição paterna.
Apesar da ameaça, só nove meses depois se pôde realizar a cerimónia. Uma linda cerimónia na catedral de Burgos, com a presença do arcebispo de Santiago.(…) Quando chegou a vez de Afonso dizer o sim, ficou calado até que o rei se aproximou de cenho franzido e ele não teve outro remédio senão murmurar a palavra-chave, mas fê-lo num repente carrancudo e maldisposto: -Sim.
Foto: OLHO DE TURISTA, LDA

À noite foram para o quarto como esposos(…) Mas ele não a abordou.(…) Virou as costas sem uma explicação.
Pobre Isabel! Muito sofreu por ser rejeitada. Preferiu no entanto não contar a ninguém e aguentar firme.(…) Muitas foram as tentativas falhadas! Nem enfeites, nem perfumes, nem trejeitos, nem lágrimas, nem suspiros(…) tiveram qualquer efeito. O marido continuava indiferente.(…)

Por último Isabel recorreu a uma feiticeira sevilhana que toda a gente da corte consultava em segredo. A mulher era velha, gorda, feia e exalava um cheiro estranho a plantas mal cozidas. Sentada num banco de três pés(…) a feiticeira ouviu, ouviu muito calada. Mastigava um pauzinho e sorria absorta.
imagem retirada da internet

- Este caso resolve-se bem se souberes escolher o momento certo e dar-lhe uma beberagem feita com ervas que te indicarei e hão-de ser colhidas pelas tuas próprias mãos numa noite de lua cheia…(…) Um ano depois deu à luz um filho, quebrou-se o enguiço e vieram mais cinco rapagões.(…)”
____________________________
Observações:
In: Magalhães, Isabel, Lendas e Segredos das Aldeias Históricas de Portugal, Comissão de Coordenação Centro, Editorial Caminho, S.A. Lisboa, Março de 2002.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:46

11
Mai 09


Existem várias versões, quanto à sua origem: “uns, consideram que Almeida deriva da palavra árabe AL MEDA ou Talmeyda, que significa Mesa, devido à povoação se encontrar localizada num planalto. Para outros, o topónimo deriva da palavra Atmeidan, que significa campo ou lugar de corrida de cavalos, acontecimento que os árabes realizavam regularmente.(1)”


O facto da palavra iniciar-se com a sílaba “AL”, parece dar mais credibilidade à primeira versão, reforçada por uma lenda local que conta que teria existido uma mesa cravada de pedras preciosas, da qual terá dado o nome à terra.



Mas existe uma outra lenda de Almeida da princesa Isabel, uma filha bastarda de D. Fernando, que casou com o Afonso filho bastardo do rei de Castela, para reforçar laços de amizades entre os dois reinos

Para a próxima semana continuaremos a visita até à Casa da Roda dos Expostos que existe em Almeida (tem ideia do que será?) e contarei mais pormenores sobre esta última lenda.




Até lá, tenha uma boa semana e não se esqueça de se increver na blogagem colectiva!
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 16:05
tags: ,

23
Mar 09
Inconformados, os castelhanos tentaram reaver terras de Riba Côa, incluindo Castelo Rodrigo no Verão de 1664, comandados pelo Duque de Ossuna. Travou-se uma das mais importantes batalhas da Guerra da Restauração nos campos de Salgadela, na freguesia de Mata Lobos a 7 de Julho de 1664.

Saíram vencedores os portugueses numa batalha com os Espanhóis. Segundo reza a lenda a Santa de Aguiar teria dado ajuda às tropas portuguesas nas batalhas que travaram com os Castelhanos, ao receber no manto as balas disparadas pelos espanhóis, evitando assim que os portugueses fossem atingidos. “Mira que anda Santa Capeluda a aparar las balas com um azafáte.”, teria sido a expressão usada pelos Castelhanos durante a batalha.

Foi uma batalha sangrenta em que os portugueses não sofreram um único arranhão, ao contrário dos castelhanos.

Ao tomar conhecimento da vitória, o rei D. Afonso VI manda rezar” TE Deum” em Lisboa e mandou levantar um padrão comemorativo nos campos onde se deu a batalha.

*****

Depois de tanta agitação, dá vontade de descansar e continuar a sentir o ambiente histórico, pernoitando na confortável casa de campo "a Cisterna", que se encontra dentro da aldeia de Castelo Rodrigo.

A próxima vez que nos encontrarmos, conto-vos , com mais pormenores, sobre essa casa de campo e vaão descobrir o Mosteiro mais antigo de Portugal.

Até lá!
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:19

02
Mar 09
Depois de uma excelente estadia nas Casas do Coro e de um café da manhã de chorar por mais, está na hora de retomar a última etapa da nossa visita a esta aldeia de Marialva, como Saramago disse: «o lugar bruxo onde o passado nos diz “Aqui estou” e fica a olhar-nos, em silêncio à espera ».


Aqui estamos nós, então no alto da Cidadela em ruínas (onde ninguém mora desde princípios do séc. XIX), dentro das muralhas do castelo cujo formato de um barco convida-nos a “navegar” para Sudoeste, avistando num horizonte de perder de vista uma imensidão de terras recortadas por vales e pela serra da Marofa.


Este castelo tem três portas: Porta do Anjo da Guarda ou S. Miguel, Porta do Monte ou de Santa Maria e Porta da Traição.

Representou um papel importante ao longo de vários momentos decisivos da História de Portugal, uma vez que fazia parte da linha defensiva de castelos estrategicamente implantados ao longo da fronteira com a actual Espanha.


Para além disso, Marialva ganhou grande importância na região quando D. Dinis criou uma feira mensal em 1286. Realizava-se todos os dias 15 do Mês, onde os feirantes gozavam paz (não podiam ser incomodados, seja por dívidas ou até por crimes cometidos). Teve impacto não só ao nível económico, mas também a nível cultural, como ponto de encontro para transmissão de conhecimentos entre populações oriundas de várias regiões.


E agora que estamos na zona mais elevada das muralhas, encontramos a Igreja Matriz de Santiago, a Capela do Senhor dos Passos e a Torre de Menagem.



Segundo a tradição, foi nesta torre que viveu a princesa Maria Alva, que terá dado origem ao nome da aldeia e à famosa lenda da Dama dos pés de cabra.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 20:07

無料カウンター
Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO
blogs SAPO