Viaje connosco pelas Aldeias Históricas de Portugal, um tesouro escondido no Portugal profundo, todas as segundas-feiras, a partir das 18 horas.

www.aldeiadaminhavida.blogspot.com
02
Mar 09
Depois de uma excelente estadia nas Casas do Coro e de um café da manhã de chorar por mais, está na hora de retomar a última etapa da nossa visita a esta aldeia de Marialva, como Saramago disse: «o lugar bruxo onde o passado nos diz “Aqui estou” e fica a olhar-nos, em silêncio à espera ».


Aqui estamos nós, então no alto da Cidadela em ruínas (onde ninguém mora desde princípios do séc. XIX), dentro das muralhas do castelo cujo formato de um barco convida-nos a “navegar” para Sudoeste, avistando num horizonte de perder de vista uma imensidão de terras recortadas por vales e pela serra da Marofa.


Este castelo tem três portas: Porta do Anjo da Guarda ou S. Miguel, Porta do Monte ou de Santa Maria e Porta da Traição.

Representou um papel importante ao longo de vários momentos decisivos da História de Portugal, uma vez que fazia parte da linha defensiva de castelos estrategicamente implantados ao longo da fronteira com a actual Espanha.


Para além disso, Marialva ganhou grande importância na região quando D. Dinis criou uma feira mensal em 1286. Realizava-se todos os dias 15 do Mês, onde os feirantes gozavam paz (não podiam ser incomodados, seja por dívidas ou até por crimes cometidos). Teve impacto não só ao nível económico, mas também a nível cultural, como ponto de encontro para transmissão de conhecimentos entre populações oriundas de várias regiões.


E agora que estamos na zona mais elevada das muralhas, encontramos a Igreja Matriz de Santiago, a Capela do Senhor dos Passos e a Torre de Menagem.



Segundo a tradição, foi nesta torre que viveu a princesa Maria Alva, que terá dado origem ao nome da aldeia e à famosa lenda da Dama dos pés de cabra.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 20:07


Depois de uma excelente estadia nas Casas do Coro e de um café da manhã de chorar por mais, está na hora de retomar a última etapa da nossa visita a esta aldeia de Marialva, como Saramago disse: «o lugar bruxo onde o passado nos diz “Aqui estou” e fica a olhar-nos, em silêncio à espera ».

Aqui estamos nós, então no alto da Cidadela em ruínas (onde ninguém mora desde princípios do séc. XIX), dentro das muralhas do castelo cujo formato de um barco convida-nos a “navegar” para Sudoeste, avistando num horizonte de perder de vista uma imensidão de terras recortadas por vales e pela serra da Marofa.

Este castelo tem três portas: Porta do Anjo da Guarda ou S. Miguel, Porta do Monte ou de Santa Maria e Porta da Traição.
Representou um papel importante ao longo de vários momentos decisivos da História de Portugal, uma vez que fazia parte da linha defensiva de castelos estrategicamente implantados ao longo da fronteira com a actual Espanha.

Para além disso, Marialva ganhou grande importância na região quando D. Dinis criou uma feira mensal em 1286. Realizava-se todos os dias 15 do Mês, onde os feirantes gozavam paz (não podiam ser incomodados, seja por dívidas ou até por crimes cometidos). Teve impacto não só ao nível económico, mas também a nível cultural, como ponto de encontro para transmissão de conhecimentos entre populações oriundas de várias regiões.
E agora que estamos na zona mais elevada das muralhas, encontramos a Igreja Matriz de Santiago, a Capela do Senhor dos Passos e a Torre de Menagem.

Segundo a tradição, foi nesta torre que viveu a princesa Maria Alva, que terá dado origem ao nome da aldeia e à famosa lenda da Dama dos pés de cabra.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 20:07

Conta-se que uma princesa de pele “alva” e de cabelos cor de oiro nunca saía da torre, mas aparecia várias vezes à janela. Muitos eram os cavaleiros que ficavam diante da torre, à espera que ela aparecesse à dita janela, oferecendo finos e exóticos presentes para conquistar o seu coração. Maria Alva não se deixava impressionar com os presentes, devolvia tudo no dia seguinte e aparecia à janela triste, acenando ao cavaleiro desiludido.


Um dia a princesa disse: “- Caso com quem me oferecer um par de sapatos à medida do meu pé”.

Com essa declaração, foram muitos os cavaleiros em busca do melhor sapateiro para encomendar sapatos de variados tamanhos, formatos e cores. Houve mesmo um sapateiro famoso chamado Ramiro, que se divertia a espicaçar os seus clientes, dizendo:
“- Se ela faz tanto mistério à conta dos pés é porque os tem bem pequeninos. Encomende o senhor uns sapatos de boneca e vai ver que acerta”. Mal o cliente saía, a conversa mudava e ao seguinte dizia exactamente o contrário.
À conta disso, este sapateiro ganhou muito dinheiro. Mas o que é certo, é que ninguém acertava e os sapatos, depois de experimentados, eram atirados pela janela abaixo, o que desmoralizava qualquer um…


Mas houve um príncipe muito esperto, que lembrou-se de arranjar uma maneira de ter as medidas dos pés da dita dama: pagou um criado para espalhar farinha junto à cama da princesa. Na manhã seguinte, quando a princesa se levantou, deixou uma pegada no chão.

Para o espanto do criado, quando ia tirar o molde do pé viu que, não se tratava de um pé humano, mas sim de pés de cabra. Este quando contou ao príncipe, aconselhou-o a esquecer essa princesa, que mais parecia “obra do diabo”. Prometeu-lhe que não contava a ninguém, com pena do príncipe. Este não lhe respondeu, pagou-lhe em dobro o que lhe tinha prometido pelos seus serviços e levou consigo o molde do pé.

Secretamente, encomendou os sapatos a Ramiro, de acordo com o molde em troca de uma arca cheia de moedas de ouro e de prata. Ainda que hesitante, depois de se benzer três vezes, pedir protecção a Nossa Senhora dos Remédios e de se justificar com o Santiago, fez os sapatos em três dias.

O príncipe, depois de levantar a encomenda, dirigiu-se à torre, curioso com a reacção da princesa. Minutos depois da entrega da prenda, ouviu-se um grito medonho e começaram a sair faíscas e fumo pela janela. Toda a gente fugiu apavorada da torre, pensando tratar-se de um incêndio, menos o príncipe, que não arredou o pé dali. Foi o único que não arredou pé dali e ficou á espera par a ver a dama, não da janela, mas da porta da torre, feliz, caminhando descalça e em bicos de pés delicados. O príncipe chegou junto dela e abraçaram-se.

A Dama, feliz agradeceu-lhe por ter conseguido quebrar o encanto. Contou que uma bruxa malvada lhe tinha lançado um encanto: enclausurou-a na torre com pés de cabra e só poderia ser quebrado se recebesse de alguém de presente um par de sapatos à medida.

O príncipe casou-se com a princesa, fez uma peregrinação a Santiago de Compostela e mandou construir uma casa de pedra para viver com a família.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 20:02

Depois dessa história de amor emocionante, convido-o a deixar a cidadela para conhecer, fora das muralhas, a antiga vila onde vamos encontrar casas tradicionais da Beira, quinhentistas, muito bem restauradas e grande parte delas habitadas.


Uma casa tipicamente beirã:com a loja, para guardar os animais, o balcão e o andar de cima para a habitação.








Uma antiga capela...transformada em habitação.











Casa das Freiras






Igreja de S. Pedro : balbaquino exterior (de influência filipina) e o campanário, onde se encontram enterradas sepulturas antropomorficas.




Depois de espreitarmos várias ruas da antiga vila de Marialva, vamos conhecer uma casa senhorial (à esquerda), como marco importante da presença dos famosos Marqueses de Marialva.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 19:22

Em Marialva começou por haver um condado, criado em 1441, na pessoa de Vasco Fernandes Coutinho. Foi Marechal do reino com acção militar sobre as terras de fronteira na região de Riba Côa, mas não deixou boas lembranças pela região… senão criar alguns conflitos, um pouco violentos por terras de Pinhel…



Após a extinção do título e da família Coutinho, é instituído o marquesado no séc. XVII a D. António Luís da Cunha ou de Menezes (primeiro marquês de Marialva e terceiro conde de Cantanhede).

Armas dos Marqueses de Marialva (retirado da internet)


D. António Luís de Menezes foi um dos elementos mais activos aquando a Restauração da Independência (1640), participou na defesa da Beira, na qualidade de Mestre-campo da infantaria, para além de outras batalhas contra os Castelhanos, sendo distinguido na batalha do Ameixial e na libertação de Évora, em 1663.
Após o falecimento do 6º Marquês de Marialva a sucessão terminou, sendo a casa de Marialva incorporada na dos Duques de Lafões.



O nome dos Marqueses de Marialva liga-se ao toureiro, mas na realidade, em Marialva nunca houve a tradição da tourada. Isso explica-se pelo facto da família ter origens do Alentejo e Ribatejo, para além de serem também senhores de Cantanhede.
Na realidade, a família dos Marqueses de Marialva só vieram buscar o título e o rendimento, por estas terras…



D. António Luís de Menezes, 1º Marquês de Marialva,

(foto retirada da internet)



Depois desta pequena lição de história, nada melhor do que olhar para Marialva, na sua versão mais actual, que se encontra na chamada Devesa, onde grande parte da população reside actualmente:



E por hoje, já viajámos imenso!
Proponho ficarmos por aqui, para seguirmos (na próxima segunda-feira) rumo para uma nova aldeia, a norte de Marialva…
Convido-o a espreitar… para adivinhar a aldeia que vamos conhecer!
Até à próxima segunda-feira!
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:56

Março 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
17
18
19
20
21

22
24
25
26
27
28

29
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Feira Medieval Castelo Mendo 2009
Feira Medieval Monsanto 2009
Marialva
Sortelha
Almeida
Castelo Rodrigo
Castelo Mendo
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO
blogs SAPO