Viaje connosco pelas Aldeias Históricas de Portugal, um tesouro escondido no Portugal profundo, todas as segundas-feiras, a partir das 18 horas.

www.aldeiadaminhavida.blogspot.com
30
Mar 09
Confesso que a visita ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar superou a minha expectativa, enquanto turista, professora de História e habitante da região , pois desconhecia por completo a sua existência, apesar de ser da região.

Tal como este Mosteiro , por estas terras do Portugal mais profundo existe imensa coisa para conhecer e explorar, mas que infelizmente são pouco divulgadas e desvalorizadas.

Este mosteiro é a prova disso e leva-me a acreditar e apostar ainda mais na importância da divulgação das Aldeias Históricas de Portugal , para que todos descubram o verdadeiro tesouro que existe dentro delas.

É essa paixão de “mostrar” os seus tesouros, que me leva a falar sobre elas, todas as segundas-feiras.

Mas também sinto-me com a obrigação para alertar a todos para alguns aspectos menos bons que constatei nesta visita:

Actualmente, parte do mosteiro encontra-se em ruínas.
Parte dessas ruínas observámos na sala do capítulo , bem como no andar de cima, onde se encontravam os dormitórios, com o telhado a ruir, e no claustro .

O claustro foi totalmente destruído já em pleno século XX, segundo contam para realizar uma tourada…

É triste o uso que estão a dar a um património nacional…


Mas , felizmente, para breve a sala do capítulo irá sofrer obras por iniciativa privada, pois consta que foi comprada ao Estado, para ser transformada numa sala de festas da actual Hospedaria do Convento , uma parte componente do convento.

Quem sabe o mosteiro passe a ser olhado com outros olhos !

Isso é apenas um pequeno desabafo , que queria partilhar com vocês.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:44
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Deixamos a aldeia de Castelo Rodrigo para conhecer o famoso Mosteiro de Santa Maria de Aguiar ,situada sensivelmente a dois km da aldeia.

Foi fácil chegar ao destino e à porta do convento encontrámos um senhor, que nos fez a visita guiada, contando histórias sobre o Mosteiro e a região envolvente.

Ao entrarmos na Igreja do convento, ficámos maravilhados pela sua arquitectura gótica e manuelina, dos seus esplêndidos pilares, arcos, ogivas e capitéis que compõem as três naves, cuja magnitude é comparável aos conhecidos Mosteiros de Alcobaça e da Batalha.
À medida que íamos observando, íamos ouvindo a grandiosa história do Mosteiro.

Sendo um monumento do século XII, “é um dos mais antigos mosteiros cirtercienses de Portugal e, por ventura um dos mais representativos do protagonismo dos frades bernardos no povoamento e colonização das terras recuperadas aos mouros na reconquista cristã. De configuração sóbria e austera, é um dos mais acabados exemplos do espírito monacal de S. Bernardo e um raro testemunho da primitiva arquitectura de Cister em Portugal.(2)”

Segundo Júlio Borges(3), “(…) é ainda uma incógnita a data certa da fundação do Convento. Alguns historiadores defendem que o seu fundador foi Fernando II, rei de Leão, em 1165, outros alegam que tal se deveu a D. Afonso Henriques, pela carta de couto de 1174”.

O que é certo é que os monges beneditos resistiram e mantiveram-se fiéis ao rei e às populações, mesmo em tempos de guerra desde os tempos da reconquista, as invasões francesas, às guerras liberais, das quais sofreram destruições e roubos. Conseguiram acolher peregrinos de Santiago, que vinham confirmar a devoção a Nossa Senhora de Rodamacor e à imagem de Santiago “mata-mouros”.

A missão dos beneditos acabou no tempo da rainha D.Maria II, que por obra do “mata-frades”, o Marquês de Pombal, foram obrigados a abandonar o Mosteiro e foi encerrado.
____________
(3) in : Borges, Júlio António, "Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo: A natureza,o Homem e a arte- roteiro turístico cultural ", ed. Município de Figueira de Castelo Rodrigo, 2007.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:31




Cá estamos de novo, em Castelo Rodrigo, para vos apresentar a Casa de Campo “ A Cisterna”, cá da aldeia. Ficámos deslumbrados com a simpatia com que fomos recebidos pela avó dos proprietários, que nos abriu a porta da casa e mostrou-nos o seu interior.. Contou-nos que os seus netos são dois biólogos, amantes da Natureza, em especial por pássaros, que resolveram criar este espaço para receber hóspedes.


O pouco tempo que estivemos, deu-nos vontade para repousar no jardim privado, sentir a natureza, num ambiente requintado, confortável, com um olhar para o passado e para as vivências do presente da aldeia.


Chama-se “cisterna”pelo facto de se situar junto à antiga cisterna, cuja arquitectura das suas entradas chamam atenção, por quem lá passa : uma de estilo gótico ( arcos quebrados, bastante usado na Idade Média) e outra com estilo amouriscado, cujo formato faz lembrar uma ferradura, que marca a presença muçulmana na aldeia.
Terá sido construída no século XIII e reaproveitada pelos judeus a partir do século XV, quando foram expulsos de Castela e se refugiaram em Portugal. Segundo Dr. Adriano Vasco Rodrigues, a cisterna funcionaria como “ Mikwé, ou banho litúrgico dos judeus, destinado aos rituais do período menstrual das mulheres, ou aos banhos depois dos partos”, num espaço coberto( 1).
Trata-se de um importante marco dos judeus, que se fixaram na aldeia praticando os seus rituais , e desenvolvendo actividades como o comércio, a agricultura e a agiotagem..
Mas a cisterna viu os seus dias contados, no tempo de D. Manuel, que obrigou os judeus a convertem-se, se quisessem continuar em Portugal, em cristãos-novos , acabando por ser destruída e transformada em fonte pública, a céu aberto.
________
(1) in: Adriano Vasco Rodrigues, “A Sinagoga e a Mikwéh de Castelo Rodrigo” Revista Altitude, Ano LII, nº 1-3ª série, 1993).
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:07

28.MAR.2009 - 23:24
Aldeias Históricas de Portugal ganham site

"As 12 Aldeias Históricas de Portugal, que tiveram 355.000 visitantes em 2008, estrearam há dias o site oficial, em aldeiashistoricasdeportugal.com. É possível ver a rede, a História, o mapa, a Filosofia, os projectos, o fórum, os eventos, os percursos (a carro, a pé, de bicicleta), a oferta turística (alojamentos, espaços culturais, restauração) e os pacotes - por exemplo, a A2Z Adventures propõe 9 dias de caminhada (quatro horas por dia) desde 1.090 euros/pessoa, tudo incluído.


Através do Programa das Aldeias Históricas, o Governo reabilita desde 1991 núcleos urbanos anteriores à fundação da nacionalidade nos concelhos de Coimbra, Castelo Branco e Guarda. As povoações destacam-se por estar em zonas altas e pela arquitectura militar e de defesa, com muralhas e castelo.


Este programa da região Centro "valoriza a paisagem, os lugares, o património construído e o referencial das culturas, tradições e actividades, envolvendo múltiplos protagonistas, em dinâmica local de desenvolvimento", definiu a coordenadora Isabel Boura.

O plano soma as aldeias de Almeida (75.173 visitas em 2008), Belmonte (35.811), Castelo Mendo, Castelo Novo (17.962), Castelo Rodrigo (45.034), Idanha-a-Velha (13.696), Linhares da Beira (11.691), Marialva (19.973), Monsanto (23.790), Piódão (14.565), Sortelha (58.993) e Trancoso (38.416).

Um quarto dos turistas vindos no ano passado eram estrangeiros, de 21 países, como Brasil, Canadá, Rússia, Austrália, Israel e Japão".

Por NP Alma de Viajante
Ecoturismo, Pedestrianismo, Portugal
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 11:09

23
Mar 09

Depois de um passeio relaxante, pelas ruas de Castelo Rodrigo, nada melhor do que um bom prato à mesa para saborear, no restaurante “As Piscinas”, que se encontra integrado no complexo de lazer de Castelo Rodrigo.


Com vista esplêndida para a aldeia e num amplo salão, preparado para receber excursões que por cá passem, serviram-nos medalhões de carne de porco grelhado, acompanhado com batata frita e salada, um copo de vinho famoso na região, sobremesa e café: tudo isso por apenas 7 € por pessoa.


Para quem gosta de fazer piqueniques, junto ao restaurante existem mesas, onde pode comodamente sentar-se, na primeira fila, para almoçar e desfrutar da natureza e da belíssima vista para a aldeia.


Depois de um almoço de reis, decidimos regressar à aldeia novamente para a rever, com olho de um turista exigente e curioso pelas grandes histórias intrigantes que aconteceram aí num passado demasiado longínquo, marcadas pelas pedras xistosas e simultaneamente graníticas da aldeia…
Histórias curiosas, marcadas por vicissitudes várias, como poderão conferir nos posts que se seguem.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 19:05

“Segundo a tradição, o alcaide de Castelo Rodrigo terá recusado a entrada, na fortaleza, ao Mestre de Avis, futuro D. João I, quando por aqui passou, vindo de Chaves. Como represália, o monarca ordenou que o escudo real fosse gravado de cabeça para baixo. Este brasão estava esculpido na Torre de Menagem do castelo, hoje em ruínas.” Mas ainda encontramos o referido brasão no pátio do que resta do palácio.

Há outro brasão à entrada do castelo também foi alvo da mesma represália, uma vez que as suas armas foram intencionalmente “picadas” , explicando a pouca visibilidade dos contornos da mesma.
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:56

Chegada a notícia da independência: a população, que tinha sentido na pele o domínio filipino durante os longos 60 anos, “ num desabrochar de raiva incontida pela opressão, invadiu o palácio de Cristóvão Moura, símbolo da cooperação com a coroa espanhola, e destruiu-o. As suas ruínas quedam silenciosas, envergonhadas, junto das nobres muralhas da vila”.
De facto o palácio chegou aos nossos tempos, em ruínas e nunca mais foi restaurada, como podemos verificar nas fotografias que tirei.





Para além de ser incendiado, o palácio foi saqueado pelos populares, chegando ao ponto de retirar pedras para construírem as suas casas, em redor do palácio: encontramos provas, como esta janela manuelina, possivelmente do palácio, que foi colocada numa casa de simples camponeses:
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:36

Inconformados, os castelhanos tentaram reaver terras de Riba Côa, incluindo Castelo Rodrigo no Verão de 1664, comandados pelo Duque de Ossuna. Travou-se uma das mais importantes batalhas da Guerra da Restauração nos campos de Salgadela, na freguesia de Mata Lobos a 7 de Julho de 1664.

Saíram vencedores os portugueses numa batalha com os Espanhóis. Segundo reza a lenda a Santa de Aguiar teria dado ajuda às tropas portuguesas nas batalhas que travaram com os Castelhanos, ao receber no manto as balas disparadas pelos espanhóis, evitando assim que os portugueses fossem atingidos. “Mira que anda Santa Capeluda a aparar las balas com um azafáte.”, teria sido a expressão usada pelos Castelhanos durante a batalha.

Foi uma batalha sangrenta em que os portugueses não sofreram um único arranhão, ao contrário dos castelhanos.

Ao tomar conhecimento da vitória, o rei D. Afonso VI manda rezar” TE Deum” em Lisboa e mandou levantar um padrão comemorativo nos campos onde se deu a batalha.

*****

Depois de tanta agitação, dá vontade de descansar e continuar a sentir o ambiente histórico, pernoitando na confortável casa de campo "a Cisterna", que se encontra dentro da aldeia de Castelo Rodrigo.

A próxima vez que nos encontrarmos, conto-vos , com mais pormenores, sobre essa casa de campo e vaão descobrir o Mosteiro mais antigo de Portugal.

Até lá!
publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 18:19

publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 14:39

16
Mar 09
imagem retirada da Intenet



... relativamente à primeira questão ( Quantas Aldeias Históricas de Portugal são?), 83% responderam que seriam 12 aldeias, enquanto que 16% afirma serem 24 aldeias... e a resposta correcta são 12 aldeias, nomeadamente:



  • Almeida

  • Belmonte

  • Castelo Novo

  • Castelo Mendo

  • Castelo Rodrigo

  • Idanha- a -Velha

  • Linhares da Beira

  • Marialva

  • Monsanto

  • Piódão

  • Sortelha

  • Trancoso


Em relaçao à segunda questão (As Aldeias H. de Portugal pertencem a que distritos?) : 11% diz que pertencem ao distrito de Braga ; 17 % de Viseu; 35% de Coimbra; 64% de Castelo Branco e 82% de Guarda .


De facto acertaram quando dizem que as aldeias pertencem a Coimbra, como é o caso de Piódão, de Castelo Branco (ex: Idanha- a-Velha, Monsanto, Castelo Novo, Belmonte) e da Guarda ( Trancoso, Sortelha, Marialva, Linhares da Beira, Casrelo Rodrigo, Castelo Mendo e Almeida).



Quero agradecer a todos os leitores que tiveram a amabilidade de participar nesta mini-sondagem.

Desafio-os agora a participar numa nova mini -sondagem no espaço habitual deste blog.

Obrigada pela visita, pela leitura e pela participação!

publicado por aldeiashistoricasdeportugal às 21:39

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